Botocudos


As aspirações imperiais e os planos bélicos de Napoleão Bonaparte motivam três invasões de Portugal, comandadas pelos generais franceses Junot (1807), Soult (1809) e Massena (1810). Em consequência destas movimentações, o rei D. João VI, a família real portuguesa e a corte transferem-se para o Rio de Janeiro em 1807, facto que a médio prazo resulta na independência do Brasil, declarada nas margens do rio Ipiranga por D. Pedro, filho de D. João VI, em 1822. A presença da corte portuguesa no Brasil inevitavelmente origina movimentações diplomáticas e comerciais sem precedentes, atraindo a atenção de vários europeus para uma realidade sul-americana até ali largamente desconhecida da maioria do mundo ocidental. Entre outras razões, é possível que a presença da corte portuguesa no Brasil tenha estado na origem da viagem que o príncipe alemão Maximiliano de Wied-Neuwied efectuou por terras brasileiras, entre 1815 e 1817. É Maximiliano quem, aparentemente pela primeira vez no mundo europeu, regista e comenta as características dos Botocudos (também referidos por outros autores sob a designação de Aimores ou Aimbores) no seu livro Reise nach Brasilien in den Jahren 1815 bis 1817, publicado no mesmo ano em alemão (Frankfurt, 1820-21) e em inglês (Londres, 1820). A imagem que aqui se apresenta, da autoria de Jacques Hippolyte Vander-Burch, evidencia semelhanças com a gravura Uma Família de Botocudos em Viagem, publicada na edição inglesa (p.291) da obra de Maximiliano – um casal de Botocudos, com a sua prole, deslocando-se no leito de um rio. A mesma ênfase é dada à decoração do lábio inferior e dos lóbulos das orelhas, bem como ao transporte de armas pelo elemento masculino, à frente, e ao transporte das crianças pelo elemento feminino, atrás. (A.J.)